Reflexões
SONETO LXVI
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.Pablo Neruda
Hoje, descobri que eu não sou tão egoísta assim… é que com a leitura do budismo, toda atitude minha que eu julgo egoísta, acaba me afetando. Mas a terapeuta disse que isso é normal e que todos nós somos assim mesmo.
Saí mais feliz de lá hoje. Geralmente eu saio arrasada por ser uma pessoa tão ruim. Livrei-me de um peso imenso desta vez. Mal conversamos sobre o que realmente importa - e o (meu) motivo de eu estar lá - contudo, deu para refletir bastante sobre as inúmeras exigências que eu cobro de mim mesma.
Ninguém é perfeito, eu sei. E essa minha busca intensiva pelo crescimento, conhecimento, beleza e etc. parecem só refletir a minha insatisfação comigo mesma.
E, que bom, que eu não estou sozinha!
Este blog aqui tem um esquema de recebimento de comentários por e-mails. Como é um blog bem acessado, eles pipocam no meu msn a todo minuto. O autor parece ter a mesma sede de conhecimento que eu, e escreve que é uma beleza. Uma pena que tenga aversão a conversar-com-pessoas-estranhas, e isso até que é uma boa pedida. Embora eu siga outra linha de pensamento: leio - admiro - quero saber quem está por trás de tudo, quero ver com meus próprios olhos e tirar a minha conclusão. Tirei algumas e guardei pra mim. Foi lá a Daniela, e expôs tudo.
No fundo, todo mundo é FAKE. A gente lê, quer aprender, quer praticar, mas aí vem uma coisa chamada sentimento, emoção ou algo que não sei nomear, que derruba por terra tudo aquilo que a nossa razão sabe que é o certo.
É como eu mesma, achando que sou a pessoa mais egoísta do mundo porque não consigo largar o meu ego e viver para ajudar os outros como o Budismo. E sou tão ridícula que é preciso que a terapeuta venha me dizer que todo mundo é egoísta, citando até a Madre Tereza de Calcutá, que fazia tudo só para ter seu espaço garantido no céu (soou grosseiro até para mim!).
Somos um eterno paradoxo, o incompreensível, o inesperado. O que fazemos hoje, podemos fazer diferente amanhã. O que eu digo hoje, posso assassinar com algum ato, depois de alguns meses… somos cíclicos. Todos nós, não só a mulher e a lua…
Não tente entender, aceite.
E abrace.
O soneto foi só para ilustrar o quanto o amor também é um paradoxo, também contém um quê de ódio e muito de incompreensível, assim como os seres humanos. Afinal, nós próprios somos o amor: inexplicáveis.
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